" Vivemos em constante mudança. Mudei muito. Mudei de foco, mudei de sonhos, mudei meus planos. Joguei muitas coisas fora. E não. Não sei até que ponto isso foi bom ou ruim pra mim. Sei que depois de feito isso, me senti renovada. É como se fosse eu mesma, mas sendo outra pessoa. Difícil explicar pra quem nunca passou por essa experiência.
Alguns não tem a facilidade de fazer tantas mudanças. Pra mim, sempre foi mais fácil. Minha mãe sempre disse que tenho facilidade pra lidar com novas situações. Isso, por um lado, me faz ficar no comando. O problema, é que eu não sei até que ponto é bom estar nele.
Aprendi a sonhar com os pés no chão, agarrar a oportunidade quando ela passa, principalmente, por não saber quando ela poderá passar por mim novamente. Aprendi a ser mais dura com relação às pessoas. Nunca foi da minha vontade aprender a ir com calma. Ir com calma é uma palavra que me assusta. Não deveria. Todos dizem isso. Bem, talvez esse seja o problema.
É que ”ir com calma” pra mim, é uma maneira diferente de dizer ”esquece e segue seu rumo.”
Posso estar errada, como já estive muitas vezes. Tenho pressa. Quero tudo pra ontem. Sou teimosa ao extremo. Quem convive comigo sabe, não sou fácil.
Tenho minhas urgências. Muitas delas, não dá pra segurar, dar um calmante e pronto: as coitadas que esperem. Não, não pode ser assim.
Sou humana e, apesar disso, faço duas, três vezes antes de pensar. Não sou muito racional.
Isso me pesa quase sempre. Sou sentimental demais.
Meu jeito de menina sempre fez as pessoas se aproximarem de mim. Eu gosto disso. Não sou como a Rainha vermelha da Alice no País das Maravilhas que prefere ser temida a ser amada. Não. Ser amada está dentre minhas prioridades.
Só depois de me conhecerem, é possível ver o quanto sou um mix. Aliás, de tudo que se possa imaginar.
E mais uma vez eu digo, não sou fácil. Mas as pessoas que ficam próximas a mim, são porque querem. Porque apreciam minha companhia, minhas palhaçadas. Uma boba ligada no 220 que não pode ouvir a palavra ‘festa’ que já fala: ‘onde?’ A mal humorada de manhã que responde, ao ouvir um bom dia, ”ainda não acordei” e se afoga no cobertor. A amiga-cult que não cansa de ter livros na estante e que adora reunir os amigos em casa. Que não sente vergonha de chorar na frente de ninguém. Que dá a cara à tapa, que corre riscos, que ama sem medo e se entrega como se fosse a última vez. Que sempre quando ouve Coldplay se arrepia e canta alto no chuveiro. Que atende o celular e coloca no viva-voz no banho, aconselhando os amigos. Muitos deles, ex. Que tem mais amigos homens que mulheres e conta da sua vida, como se o amigo homem fosse um gay assumido. Que ri de tudo isso e não está nem aí pra opinião de quem quer que seja. Que já chega no ambiente de trabalho dando bom dia pra todo mundo, beijando os amigos e falando do fim de semana. A que não se esconde do que sente, custe o que custar. Que sai no temporal, se você disser que quer vê-la. E a que nem pensa em voltar pra casa se você fingir esquecer da hora. A que conta os minutos pra te ver e quando fica longe, só pensa numa coisa: você.
De todas as mudanças que eu fiz, parar de pensar em você foi a única que eu não consegui.
Ps: Quem sabe duma próxima vez, eu consiga. Quem sabe… "